terça-feira, 31 de maio de 2011

Afinal, o que é inovação?


Inovar. Inovar. Inovar.  É a palavra do momento, não se ouve falar em outra coisa. O mundo dos negócios criou uma – falsa – impressão de que é preciso inovar a cada momento. É sempre bacana ser o pioneiro, sair na frente de todos. Mas o que significa ser inovador? Criar algo que ninguém criou. Será? Matthew Toren publicou um artigo noYoungentrepreneur sobre o que define um empreendedor inovador.
Toren começa o texto fazendo uma comparação bacana. O fato de a Motorola ter sido a primeira a lançar um celular com visor colorido a torna uma empresa empreendedora?  A resposta é não. Basta levar em consideração a seguinte questão: “se a Motorola não tivesse lançado esse tipo de visor, ele não existiria?”. A Motorola não apresentou algo nunca pensado antes, só adiantou uma evolução que de certo ocorreria.
Já se pararmos para analisar a Apple, percebemos que ela vai muito além de identificar as necessidades das pessoas, ela cria necessidades. Pensemos, por exemplo, no iPad 2, que foi lançado na última semana no Brasil e atraiu centenas de aficionados por tecnologia para as lojas. As pessoas não precisam de um iPad 2, elas querem ter o novo tablet. Deu para notar a diferença?
Steve Jobs e sua equipe apresentam produtos que ninguém nunca imaginaria que fossem capazes de existir. Isso sim define o verdadeiro inovador. Outro sinal que pode indicar se você está ou não fazendo a diferença é o quanto seus competidores te copiam e correm atrás para  conseguirem se igualar você. Matthew Toren defende que não se aprende a inovar, inovação é uma característica que já vem determinada no gene. E você, é inovador?



Sobre o autor

Julia Rodrigues postou 58 vezes aqui.

Inovar. Por que não?


Ultimamente tenho pensado bastante em empreendedorismo, não só por viver disso, mas também para saber qual o papel do empreendedorismo hoje na economia brasileira. É certo que o empreendedorismo vem crescendo no Brasil, e a grande mídia também vem incentivando o empreendedorismo. E é aí que entra a parte que me incomoda.

Será que só incentivar o empreendedorismo basta? Será que é só mostrar alguns exemplos de sucesso e dizer: “Vamos ser empreendedores”? Este é o verdadeiro caminho?
Eu caí de paraquedas no empreendedorismo e posso dizer que logo de cara não me apaixonei por ele. Ser empreendedor é difícil, requer dedicação integral, habilidade, estratégia. Mas em 2009 fui apresentada ao empreendedorismo de inovação, esse sim fez meus olhos brilharem. Mesmo não sendo pesquisadora ou cientista, a inovação me conquistou e é aí que entra o meu grande questionamento.
O empreendedorismo cresce, mas a inovação não. No Brasil, o ranking de inovação é muito baixo e as pessoas ainda são ligadas àquela idéia de que inovação é algo complexo que só serve para pesquisadores e cientistas. Mas não é bem assim. Claro que eles hoje são a grande estrutura da inovação, mas ter um produto inovador ou ser uma empresa inovadora não está totalmente ligado a isso. Podemos inovar com produtos simples e ideias simples: olhe à sua volta e veja quantos produtos inovadores tem a seu lado.
Com certeza você vai achar alguns super complexos, mas se olhar com mais cuidado vai achar alguns bem simples, que você nem tinha reparado que eram inovadores, que supriram as necessidades do seu dia a dia e você não se imagina mais sem.
E é para isso que quero chamar a atenção de vocês. Vamos sim incentivar o empreendedorismo, mas vamos incentivar a inovação também. Vamos mostrar que pequenas ideias inovadoras podem ser de grande valia e trazer bons frutos. E vocês, caros amigos empreendedores, vamos incentivar a inovação dentro de suas empresas, dar voz aos seus funcionários e quem sabe até ter um fundo para investir em inovação. Inovar lhe trará bons frutos.
Juliana Toledo é empreendedora junto com sua mãe e busca inovação para o setor de laticínios. Twitter:@jujubatoledo

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Como o atendimento influencia os clientes?


Atendimento personalizado. Esse é o desejo dos consumidores atuais, e não há escapatória para as empresas que querem conquistar mais clientes. Com a padronização de preço e de produtos, o atendimento se tornou o grande diferencial de uma loja online.
Recados e pendências sem retorno, pedidos entregues com atraso e falta de compromisso são posturas contrárias aos clientes e só prejudicam a empresa, mostrando que nem todas estão preparadas para assumir a responsabilidade de bem atender. A qualidade de um atendimento só é visível quando a satisfação dos clientes é percebida.
Porém, quais as melhores práticas para atrair e fidelizar o perfil mais curioso e exigente de consumidor? Será que sua loja está transmitindo aos clientes que é uma empresa comprometida com sua satisfação? Observe as posturas abaixo e compare com seu atendimento atual:

1. Promessa é divida

Por que é importante? Prometer o que pode cumprir e cumprir tudo aquilo que prometer faz com que o cliente tenha confiança nas negociações realizadas em sua loja virtual. Qual o retorno para a loja? O cliente saberá que sempre poderá contar com a loja, pois ela possui uma postura de seriedade, apresentando prazos corretos e cumprindo com os todos os tópicos relacionados na negociação.

2. Nada mais que a verdade

Por que é importante? Nas negociações, a verdade para com os consumidores nunca deve faltar. Mentir ou omitir informações para o cliente é algo grave e antiético.
Qual o retorno para a loja? O cliente sente-se seguro ao negociar com a empresa que fala a verdade. É importante ter em mente que o consumidor é capaz de perdoar falhas, afinal somos humanos. Mas não perdoará enrolação e mentira.

3. Lição de casa

Por que é importante? Antes de priorizar inovações na loja virtual, é fundamental garantir qualidade e competência em todos os serviços já atuantes em seu empreendimento.
Qual o retorno para a loja? O cliente, ao verificar a qualidade dos serviços que a loja disponibiliza, aceitará de bom grado todas as novidades implantadas, pois entende que tudo correrá com as características que já conhece.

4. A facilitação

Por que é importante? O mercado virtual tem a proposta de facilitar a vida dos consumidores, permitindo que eles negociem sem sair de casa. Portanto, seu e-commerce precisa facilitar a vida do cliente.
Qual o retorno para a loja? É automático: todas as vezes que seu cliente precisar comprar algo de forma facilitada, lembrará que sua loja dá preferência a esse aspecto.

5. Calma e paciência

Por que é importante? No comércio eletrônico, perceber que o lojista é impaciente ao auxiliar no processo de compra é muito prejudicial à empresa. Isso porque há novos consumidores chegando ao e-commerce, e eles precisam de um acompanhamento calmo até se adaptarem à ideia de comprar pela internet.
Qual o retorno para a loja? O consumidor desenvolve uma confiança com a loja virtual e se fideliza ao entender que é atendido com respeito e atenção por uma empresa profissional.

6. O compromisso da empresa

Por que é importante? Nada pior que a indiferença. No e-commerce, o sentimento é o mesmo. Se o seu cliente faz uma reclamação, um comentário ou uma sugestão, não tenha dúvidas de que ele vai querer um retorno da sua loja.
Qual o retorno para a loja? Cliente satisfeito é aquele que sabe que possui um papel importante diante da empresa com quem negocia e, além disso, entende que a loja virtual tem um compromisso firmado com ele.

7. A personalização

Por que é importante? Atualmente, as lojas virtuais já não possuem muitos diferenciais para que possam se destacar no mercado online. Por isso, o atendimento é a melhor forma de apresentar aos clientes um benefício que possa conquistá-los.
Qual o retorno para a loja? Um atendimento personalizado é mais do que um bom atendimento. É algo direcionado ao perfil de seus consumidores e, por mais que seus clientes sejam exigentes, eles saberão reconhecer um atendimento eficaz e satisfatório.
O atendimento que é disponibilizado em sua loja influencia os clientes a permanecerem como consumidores constantes ou não. Se os clientes percebem que seu atendimento é personalizado conforme suas características, que a empresa tem um caráter sério, verdadeiro, atencioso, compromissado e facilitador, certamente eles serão fidelizados, promovendo, ainda, a ampliação da divulgação do seu e-commerce.
Boas vendas!

sábado, 28 de maio de 2011

Da ideia ao negócio


Tudo seria tão mais fácil se viesse acompanhado de um manual de instruções, não é mesmo? No mundo dos negócios, então… Mas já que não podemos contar um guia infalível que nos mostre como ser bem sucedido em dez passos, já vale a pena ter conhecimento das experiências que alguns empreendedores já tiveram ao longo do caminho, mapeando alguns pontos suscetíveis de erros ou acertos. Quem compartilhou um pouco do que presencia no mundo das startups atualmente foi David Ronick, cofundador do UpStart Bootcamp, que publicou um artigo no Inc.dizendo quais são os passos a serem seguidos para quem deseja tirar sua ideia do papel e ter o próprio negócio. Olha só:
Tenha uma ideia: pense em qual ramo você gostaria de trabalhar e pesquise sobre a área. Avalie as oportunidades de crescimento e os riscos que o setor possa oferecer. Questione o que esse tipo de consumidor quer e quão grande é a oportunidade. Cerque-se de certezas, garanta que o investimento valha a pena.
Ouça: converse com pessoas que entendam do mercado no qual você está pensando em entrar. Saiba quem são os competidores e vantagens e desvantagens de levar a ideia adiante. Vale também falar com consumidores para saber o que eles acham sobre sua hipótese. Depois de ouvir, é hora de agir. Remolde a estratégia com base no feedback que você teve.
Coloque o produto à venda: é normal que você prefira esperar ter o produto perfeito para colocá-lo no mercado, mas construa os elementos básicos e coloque-o à venda.
Faça os ajustes necessários: uma vez que os consumidores têm acesso ao seu produto, eles poderão testá-los e dar opinião. Reveja estratégias de pricing e branding.
Esteja pronto para crescer: reavalie o plano de negócios, produto, equipes, tudo que possa fazer com que sua marca cresça. Este é um bom momento para levantar capital. Apresente suas impressões sobre o mercado a um investidor, fale sobre as informações colhidas durante o lançamento do produto. Certifique-se também que toda equipe está ciente e acredita nos projetos que você tem para a empresa.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Por uma comunidade empreendedora


Durante muitos anos, houve a crença de que para uma empresa de tecnologia prosperar, ela deveria estar no Vale do Silício – o que já dificulta o seu caminho para o sucesso. Felizmente, hoje não é mais assim. Claro que boa parte da inovação tecnológica e seus devidos responsáveis estão reunidos na baía da Califórnia, mas isso não mais significa que se você não estiver lá, não vai prosperar.

Lá nos Estados Unidos mesmo, por exemplo, já foi observado que cidades que fogem dos hubs tecnológicos estão chamando atenção pela diversidade de startups que se alojam no local. A partir disso, o Mashable fez algumas observações que valem a pena serem consideradas.

Não tente ser o Vale do Silício: vale muito mais a pena você levar em consideração as oportunidades que sua região oferece. Ela é conhecida por qual fator? Explore isso, não construa sua startup de olho em cidades “maiores” ou “melhores”.

Faça parcerias: o coworking traz benefícios a todos os envolvidos. Diversos empreendedores trabalhando juntos têm mais chances de crescer do que aqueles que preferem ir à luta sozinhos.

Divirta-se e torne-se criativo: mas fuja da mesmice e monotonia das festas comuns. Uma alternativa é participar de meetups e organizar encontros de startups, ótima maneira de construir um bom network, trabalhar a criatividade e colaboração. Vale também fazer atividades que fujam completamente do assunto trabalho. Que tal organizar um campeonato de videogame com seus parceiros de trabalho?

- Reconheça o sucesso dos outros: tenha em mente que, por estarem em uma pequena comunidade, você e os outros empreendedores estão todos juntos. Portanto, não recuse ajuda às novas startups e sempre reconheça o sucesso dos outros. Se eles prosperarem mais que você e alçarem vôos maiores, é provável que se lembrem de quem os ajudou e queiram retribuir o favor.

Fonte: ResultsON

terça-feira, 24 de maio de 2011

7 dicas para vender uma ideia no trabalho


Uma olhadela rápida nos anúncios de emprego é suficiente para perceber qual é o perfil profissional queridinho das empresas. Todas, sem exceção, querem profissionais capazes de materializar, em termos práticos, o conceito de inovação.

Mas entre uma personalidade criativa e a aprovação do projeto final há um longo percurso. Para que a ideia vá além de alguns rabiscos no papel, é preciso submetê-la a uma bateria de aprovações.

Em outras palavras, não vale chegar na sala de reuniões sem uma proposta capaz de manter-se de pé mesmo diante de uma porção de vaias, tomates ou simples contra argumentos. É preciso se preparar tanto na elaboração da ideia quanto no preparo para vendê-la de um jeito instigante.

Pensando nisso, EXAME.com consultou profissionais e especialistas de diferentes áreas para saber quais as melhores estratégias para transformar uma ideia em uma proposta imbatível.

1. Brainstorm não é tudo 

Antes de partir para a sala do chefe com uma porção de projetos na cabeça, vale a pena submeter sua ideia a uma prova de choque.

“Uma ideia parte de um contexto estudado e evolui para um pensamento bem fundamentado”, diz Rita Almeida, diretora da agência de branding CO.R Inovação.

Isso significa que não vale passar para frente propostas etéreas e sem um alicerce sólido. “A ideia tem que amadurecer”, diz Marcel Camargo, gerente comercial da BNCorp.

Por isso, antes de qualquer outra ação, pergunte-se: essa proposta realmente é digna de compartilhamento?Em que medida ela atende aos desejos do seu público alvo? Ela realmente trará benefícios para empresa? Quais seriam os caminhos para tirá-la do papel? Eles são viáveis?

2. Acerte o tempo

É nesse momento que você também deve checar se sua proposta está dentro ( ou não) das necessidades de sua época.

“Muitas ideias morrem porque foram compartilhadas no tempo errado”, diz o especialista Anderson Cavalcante. “Seja por estarem à frente do seu próprio tempo ou atrasadas”.

Ele sentiu isso na pele na editora em que trabalha. “Fomos os primeiros a lançar um livro de gestão corporativa. Demorou um ano para que ele começasse a ser vendido”, lembra. “Foi o custo do pioneirismo”.

3. Faça pré-testes

Um meio para descobrir se a ideia está no ponto para sair do papel é compartilhá-la com pessoas próximas – e confiáveis. “A questão é experimentar mesmo”, diz Cavalcante. “Checar se a proposta terá eco”.

Feito isso, mapeie quais são as pessoas chave para receber sua ideia e passá-la para frente. Dedique um tempo para entendê-las.

“Todas as pessoas agem segundo motivações pessoais ou profissionais”, afirma Eduardo Ferraz, autor do livro Por que a gente é do jeito que a gente é? (Editora Gente).

“Por isso, para vender uma ideia, um aspirador de pó ou mesmo os conceitos de uma palestra, é preciso saber o que motiva as pessoas”.

4. Prepare o caminho e lance os fundamentos

É com base nesse agente propulsor da motivação que você deve definir a lógica argumentativa da sua proposta.

“O que vai dar credibilidade é a fundamentação”, diz Ferraz.

Dois meses. Esse foi o tempo que Marcel Camargo, gerente comercial da BNCorp, levou para elaborar os fundamentos de uma nova proposta de negócios para a empresa em que trabalha.

A ideia era utilizar o conceito de Retrofit em um novo empreendimento no Rio de Janeiro.

“Já havíamos feito isso com muito sucesso no passado”, lembra. Mesmo assim, ele arregaçou as mangas para refrescar a memória do departamento.

Os 60 dias em que se dedicou para amadurecer a ideia foram divididos entre viagens para o Rio de Janeiro, pesquisas de mercado, coleta de informações e elaboração de um roteiro argumentativo. Com todo esse contexto em mãos, ele partiu para a sala de reuniões.

Não deu outra. Antes mesmo da conclusão do empreendimento, todas as salas já estavam alugadas ou vendidas.

5. Tenha foco

Por mais profunda que tenha sido a sua pesquisa, não é preciso esmiuçar cada detalhe na apresentação.

“Muita gente pensa que é preciso colocar tudo na apresentação. Ao contrário, ela tem que ser estratégica”, diz Cavalcante. Isso significa que só vale compartilhar sua ideia de uma maneira objetiva e coerente com o contexto do público em questão.

Difícil chegar a esse equilíbrio entre profundo conhecimento sobre o assunto e uma apresentação pontual? Nem tanto. Basta compreender bem quais os principais motivadores do público em questão e focar neles.

“Tenha foco, não queira vender 20 coisas ao mesmo tempo”, diz Ferraz.

6. Não parta para a briga (ou indiferença)

Esteja preparado para passar por uma prova de fogo. Durante a apresentação, muitos poréns serão levantados. E o seu papel é manter a calma e, de uma maneira sensata, desmontar cada um dos contras.

Agora, não vale perder a cabeça e descanbar para a ignorância. Lembre-se: a credibilidade da sua ideia está intimamente ligada à sua própria imagem – e credibilidade.

Além disso, é imprescindível demonstrar confiança e segurança para os interlocutores. Por isso, não vale chegar na sala de reuniões sem, realmente, acreditar em cada detalhe do seu projeto. Muitas ideias já naufragaram simplesmente porque as pessoas não demonstraram paixão pelo que faziam. “Nunca vi nenhuma proposta ser aprovada com gente norma”, diz Cavalcante.

7. Deixe a porta aberta
Não se intimide caso não tenha resposta para todas as perguntas. Aliás, segundo Cavalcante, deixar alguns pontos em aberto é essencial para que as negociações para que a ideia seja aprovada não ganhem um ponto final logo de cara.

A dica, segundo ele, é já sair da primeira reunião com uma nova data de discussões agendada. “Se você deixa uma pendência, gera-se a chance de reavivar o projeto nos próximos dias”, afirma. E, com isso, aproveitar as impressões iniciais, até, para melhorá-lo.


sábado, 14 de maio de 2011

Bons líderes são desenvolvidos, não importados


Por Márcia Rocha*

Reter talentos é um dos desafios da gestão de recursos humanos contemporânea. Mais que isso, a briga pelas estrelas do mundo corporativo passa a ser cada vez mais acirrada, e o número de talentos disponível, mais escasso. Soma-se a esta equação o fato de que profissionais têm escolhido caminhos alternativos, como abrir seu próprio negócio ou mudar constantemente de empresa. E, sem dúvida, esta conta sai cara para as organizações.

O problema é que contratar pessoas talentosas faz sentido como tática para preenchimento de vagas no curto prazo, mas não como estratégia de longo prazo. Contratar uma verdadeira constelação de líderes, além de caro, não se sustenta devido à escassez de pessoas altamente talentosas e, além disso, estes talentos podem não chegar a se desenvolver completamente.

Mas, o que fazer? Como atender às demandas do negócio sem entrar nesse ciclo da guerra pelos talentos? O que muitas empresas não visualizam claramente – ou não conseguem colocar em prática – é que um programa de desenvolvimento de líderes consistente pode ser a resposta a essas perguntas.

Charam, Drotter e Noel, em seu livro Pipeline de liderança – O desenvolvimento de líderes como diferencial competitivo, defendem que bons líderes são desenvolvidos, não importados. Embora saibamos que a retenção pode estar diretamente ligada a questões salariais e de intenções de avanço rápido de carreira, as experiências dos autores indicam que um forte programa de desenvolvimento, preparando as pessoas para o desempenho máximo em todos os níveis, costuma ser um incentivo à permanência na organização. Afinal, colaboradores tendem a ficar onde podem aprender a crescer.

Além disso, líderes bem desenvolvidos tornam-se melhores gestores e, consequentemente, aumentam a retenção na empresa como um todo. A aprendizagem e o crescimento empolgam gestores ambiciosos e talentosos. Mas, a ausência de um ambiente de aprendizado consistente, ancorado no alinhamento à estratégia da empresa, análise de habilidades, aplicações de tempo e valores para cada passagem profissional, pode criar outros problemas de retenção.

Líderes desalinhados ou mal desenvolvidos podem impedir o desenvolvimento de seus subordinados, ora realizando o trabalho por eles, ora enfatizando a alocação de tempo ou foco de esforços de forma inadequada. Assim, muitos subordinados podem se sentir frustrados e acabam saindo da organização. E o pior é que isto normalmente ocorre com os mais talentosos ou que apresentam alto desempenho, pois estão ansiosos por desenvolver novas habilidades de liderança.

Extrapolando um pouco mais a questão da retenção de talentos, nos deparamos naturalmente com outro desafio organizacional, independente do tamanho ou linha de negócio da empresa: como efetuar o planejamento de sucessão, dos primeiros níveis de liderança ao CEO. Ao identificar claramente as mudanças importantes nos requisitos de cada nível hierárquico, o modelo proposto pelo Pipeline de Liderança também pode ser útil a esse respeito, preparando as pessoas para assumir novas posições em todos os níveis da organização.

O planejamento de sucessão perpetua o negócio ao identificar pessoas de alto desempenho, garantindo que todos os níveis tenham uma abundância de profissionais assim, tanto agora quanto no futuro. As movimentações na estrutura hierárquica, analisadas e tratadas de forma estratégica, são pontos cruciais para a sobrevivência das organizações.

Somente quando uma organização tem líderes adequadamente preparados em todos os níveis pode garantir a sustentação diferenciada do negócio ao longo do tempo, uma vez que permite que o fluxo de formação e movimentação de gestores garanta o preenchimento de novas posições de liderança.

Tudo isso significa que a capacidade de resposta e de posicionamento de uma organização é o resultado da fluidez com que ocorre a retenção de seus talentos e a movimentação de seus gestores. É necessário capitalizar o potencial, discernindo os verdadeiros requisitos de trabalho e o que é necessário para realizar com sucesso a transição para o próximo patamar.

Pensar de forma holística, mantendo em mente a complexidade das pessoas, pode ser o segredo para desenvolver internamente suas próprias estrelas e maximizar a contribuição de líderes de todos os níveis, evitando entrar em guerras cada vez mais caras por talentos externos.

*Márcia Rocha, jornalista, é Gerente de Projetos do LAB SSJ no Rio de Janeiro.

Fonte: LAB-SSJ

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Assim são as crianças