terça-feira, 24 de julho de 2012

A força de uma cultura


Por Eugênio Mussak*                 

No mês passado, aconteceu o primeiro lançamento da Apple pós-Steve Jobs. O carisma dele não estava no palco, mas o legado de suas ideias e o seu jeito de ser estavam lá, intactos. Tim Cook, atual presidente da Apple, fez uma apresentação minimalista e até procurou se vestir de modo parecido ao de Jobs. É impressionante a força da cultura de uma empresa, quando ela tem seus atributos bem claros e é praticada pelos seus funcionários.

A cultura de uma organização é o conjunto de crenças e princípios que definem o comportamento das pessoas que trabalham nela ou que se relacionam com ela. É o recurso psicológico da companhia, tão necessário quanto os recursos materiais para a execução da estratégia da empresa. Jobs deixou na Apple pelo menos quatro ícones culturais.

O foco – Quando retornou à Apple, Jobs encontrou a empresa perdida em um grande número de projetos que competiam entre si. “Toneladas de produtos, a maioria de má qualidade”, em suas próprias palavras. Ele definiu que a empresa teria apenas quatro produtos: um computador de mesa e um laptop de uso profissional e o mesmo par para uso pessoal. Assim acabou com a dispersão de energia. O resultado foi aumento de eficiência e de qualidade.

A excelência – A obsessão com a excelência garantiu o posicionamento da Apple. Jobs definiu que o belo era importante. Os designers ganharam status, os engenheiros tiveram de se submeter a seus caprichos. O resultado foi o encontro da alta tecnologia com a arte.

A confiança – Na Apple cada pessoa está preocupada em fazer apenas seu trabalho porque tem absoluta certeza de que cada colega está fazendo o seu, da melhor maneira. A confiança é o atributo mais poderoso para a construção de uma verdadeira equipe.

A paixão – Os nerds de Cupertino, cidade sede da Apple, são apaixonados pela empresa, ainda que o nível de exigência prejudique a qualidade de vida. É fácil se apaixonar por uma ideia que está mudando o mundo e, claro, sentir-se fazendo parte dessa revolução. Steve Jobs disse que não gostava de colocar botões de liga/desl iga em seus equipamentos, pois achava que eles não deveriam ser desligados nunca. Ele não está mais aqui, mas nenhum botão será capaz de desligar a cultura que ele criou para a Apple. Essa continua, pois é maior que o homem que a criou.

*Eugenio Mussak é educador e escritor, formado em Medicina na UFPR com especialização em Fisiologia Humana, é professor da FIA-USP e da Fundação Dom Cabral. Membro do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Recursos Humanos, autor de vários livros, entre os quais Metacompetência, Liderança em Foco, Caminhos da Mudança e Pensamento Estratégico para Lideres de Hoje e Amanhã e atualmente é colunista das revistas Você S.A. e Vida Simples da Editora Abril.

Fonte: Você S/A

0 comentários: