domingo, 28 de março de 2010

A importância do remix de idéias


Por Lou Martins – iMasters
Nós somos fruto de um remix, isso é inegável. Metade do DNA do seu pai se juntou com metade do DNA da sua mãe e, booom, nasceu você. Ou seja, a recombinação faz parte da gente.
As idéias, num processo semelhante, também são fruto de recombinações (propositais ou não). Tudo que vemos, aprendemos, observamos é utilizado de alguma forma na construção de novas idéias. A originalidade está na forma com a qual esse remix de referências acontece (ou você realmente acredita que só porque você teve uma idéia, ela veio do nada e pertence só a você?).
Os ‘insumos’ utilizados na construção dessa idéia vieram de fora, do mundo externo. A constante recombinação de todas as coisas cria outras novas que, no futuro, serão referência para mais idéias. E esse ciclo é mais do que natural, faz parte da nossa essência criativa.
A possibilidade de refletirmos sobre as coisas permite que nossa imaginação ‘embaralhe’ um pouco o que estamos vendo, nos ajudando a enxergar algo novo a partir de uma coisa pré-existente. Um lobisomem, por exemplo, não existe na vida real, mas mesmo assim ele “existe”, nascido da recombinação de imagens pré-existentes (a imagem de “homem”, a imagem de “lobo” etc.).
Até o próprio ato de escrever é, essencialmente, um remix. Cada combinação de palavras forma uma frase que, quando mixadas, formam textos totalmente diferentes de todos já escritos. Usar a mesma palavra que alguém já usou não é cópia. Cópia é usar exatamente o mesmo texto, afinal não houve o processo de recombinação e sim apenas reprodução de algo que já existia.
Estamos vivendo numa era onde essa eterna recombinação das coisas, idéias, imagens etc. nos leva a questionar as nossas referências. O que é, afinal, referência? Por que considerar algo como referência? Por que o que é referência para um não é para outra pessoa?
Esses questionamentos fazem parte do que se chama de “crise da representação“, dentro do pós-modernismos (na visão do sociólogoZygmunt Bauman), onde basicamente há uma quebra de referências e o mundo se torna um lugar de símbolos, sinais, imagens e idéias desconexas que você pode recombinar e criar novas coisas a partir de todas as outras. Um lego basicamente, onde as referências só existem dentro da sua cabeça a partir das combinações voluntárias ou não que você faz.
O remix também é extremamente importante para a construção da cultura digital, formação de seus mitos, “tradições” etc. William Gibsonfoi genial ao dizer que “o digital é, essencialmente, um bando de 1 e 0 que estão ali para serem remixados”, ou seja, assim como nós e nossas idéias, o “mundo digital” também é fruto de recombinações.
A realidade é ‘remixável’ e não devemos achar isso um limitador da capacidade criativa. Pelo contrário: a criatividade se alimenta de todas essas peças de lego que estão soltas por aí, se apropria delas e cria a partir delas. Nada vem do nada e, por mais que você não conheça exatamente o que te levou a ter uma idéia, pode ter certeza que foi sua mente trabalhando em cima de tudo que você conhece

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