12 dicas importantes sobre planejamento de carreira

Por Van Marchetti

É muito comum a célebre pergunta feita às crianças: “O que você vai ser quando crescer?”. Mas sabemos que há ainda um longo caminho a percorrer dessa fase até a real decisão de escolha e, dependendo desse caminho, muitas vocações vão surgindo.

A escolha do curso superior deve ser uma escolha planejada em família. Nesse momento, é muito importante a participação dos pais como apoio, e não como decisão final. Perguntas (mesmo que aparentemente pueris) como “O que quer ser?”, “O que gosta de fazer?”, “Onde quer estar daqui a alguns anos?” podem abrir novas possibilidades à vida profissional do jovem. A maneira de pensamento dessa geração é muito dinâmica, as opções de cursos e carreiras são diversas, então ajudá-los a organizar os pensamentos e focar nos pontos onde há conexões com sua vocação pode ser um importante ponto de partida.
Deve-se estar atento a não cair em tentações como profissões da moda e carreiras com probabilidades de ganhos maiores. Não que esse ranking não seja importante, mas é preciso ter a convicção de que a escolha está sendo feita por vocação, e não por modismos e ganhos a curto prazo – mas nem sempre sustentáveis.
E como saber mais sobre a verdadeira vocação?  O autoconhecimento é de grande valia nesse momento. Um teste vocacional pode ajudar muito nessa hora. Ele talvez não seja certeiro em apontar para uma carreira específica, mas certamente será um bom orientador quanto à área de atuação mais condizente ao perfil.
Na vida universitária muitas vezes essa busca continua. Então a faculdade, bem como o corpo docente, tem que fazer parte desse planejamento também. Oferecer cursos extra curriculares para orientação vocacional, elaboração de currículos para participação em processos seletivos, são exemplos dessa “parceria”. Em contrapartida, o aluno tem que querer e buscar esse desenvolvimento, se interessar. É e deve ser uma via de mão dupla.
Das especialidades/cursos que podem agregar hoje em dia, o MBA ainda é importante?
Muitos cursos superiores têm uma base muito técnica. Quando o profissional, no mercado de trabalho e/ou na iminência de assumir um cargo de gestão se depara com a necessidade de desenvolver habilidades comportamentais e administrativas, a procura por um curso de MBA é uma boa opção.
Um advogado que passará a dirigir seu próprio escritório, médicos, dentistas e veterinários que montarão suas clínicas, são profissionais que devem fazer um curso de MBA em Gestão de negócios, por exemplo.
No caso dos profissionais que ocupam cargos nas empresas, o MBA é um caminho para valorizar o “passe” no mercado. Mas é preciso objetivar mais que isso. Um MBA é um investimento considerável para somente visualizar um certificado ao fim do curso. Nas aulas que ministro de MBA, sempre alerto aos alunos, ainda no início do curso: “Aproveitem cada minuto, desfrutem da rica troca de experiências entre os colegas de classe, façam da discussão em classe uma poderosa ferramenta de desenvolvimento de ideias”. Um certificado sozinho tem prazo de validade, mas o aproveitamento do conhecimento adquirido e a aplicabilidade perduram e valorizam a carreira.
Outro ponto importante é a escolha da especialização. É preciso estudar bastante as opções de curso e verificar o que está mais adequado às suas atuais expectativas e necessidades para o desenvolvimento da carreira. O curso de MBA deve estar alinhado ao seu planejamento profissional.
Hoje, perfis como facilidade de adaptação, flexibilidade para mudanças, abertura para o novo, excelente relacionamento interpessoal, capacidade de liderança, capacidade de pensar estrategicamente, ver a área de atuação como negócio (intraempreendedorismo) e capacidade de comunicação/oratória, são habilidades extremamente demandadas pelas empresas e pelo mercado. E os cursos de MBA oferecem essas qualificações em suas grades.
Para quem ainda acredita que precisa de mais maturidade profissional antes de optar por um curso de MBA, ou mesmo não tem condições de arcar com esse investimento, seja no âmbito financeiro ou de tempo, a opção é a realização de cursos de extensão, ou seja, uma atualização profissional de curta duração, objetivando complementar o conhecimento em áreas pontuais. Eles também são recomendados para áreas com atividades profissionais ou necessidades mais específicas ou urgentes, como por exemplo a necessidade de aprender a fazer uma apresentação ou focar em pontos de comportamento como liderança, seleção de pessoas, entre outros.
Como saber qual o melhor e mais adequado para o momento (MBA ou extensão?)
1)    Qual sua necessidade profissional agora?
2)    A resolução é com urgência ou a necessidade de aprendizagem é mais intensa?
3)    Qual o tempo que você tem para aplicação do conhecimento? Deve ser imediato ou pode ser aplicado ao longo do tempo?
Dicas para identificar falhas de formação e como tentar resolvê-las:
1)      Quem fez um curso de graduação muito técnico e está almejando um cargo de gestão, precisa buscar uma complementação, visando formação em áreas como liderança e Gestão de Pessoas, por exemplo. Nesse caso, cursar um MBA é uma alternativa significativa.
2)      Mesmo quem já tem um MBA com essas especializações, não deve “parar no tempo”. Fazer periodicamente cursos de extensão são fundamentais para a atualização e desenvolvimento continuado da carreira. Desenvolver e manter as vantagens competitivas.
3)      Responda às seguintes questões:
- Você é empregável?
- Você tem um plano de carreira ou uma carreira de empregos?
- Seu currículo é somente um cartão de visitas ou atende prontamente às soluções que as empresas procuram?
- Mudanças no ambiente corporativo. Você sabe lidar com elas?
4)      Partindo do pressuposto de que a empregabilidade é uma responsabilidade exclusivamente do profissional e se este, por sua vez, almeja um melhor cargo e uma maior remuneração, ele não deve esperar pela contrapartida da empresa, mas antes iniciar o movimento. Mas esse movimento não é uma cobrança por promoção e muito menos manifestar sentimentos como “não sou reconhecido”, ninguém me oferece uma chance”. Esse impulso deve partir “do que precisa ser feito”, ou seja, onde quero chegar, onde estou, onde preciso me desenvolver e AÇÃO.
5)      Para os mais jovens em início de carreira, é necessário aprofundar-se e interessar-se pelo seu cargo, seu papel, que contribuições a mais podem ser dadas a fim de, não apenas atender as expectativas da gestão, mas superá-las. Afinal, se no departamento existem 10 estagiários e apenas 2 vagas para efetivação, quem dos 10 vai ocupá-las? Certamente quem vencerá o desafio não é quem vai esperar para ver o resultado final, mas quem vai entregar mais e além das expectativas.
6)      Vença o “coitadismo”. Lugares de destaque e SUSTENTABILIDADE no mercado corporativo são para os que acreditam em si e em suas capacidades. Pessoas que lutam com as armas da criatividade, inovação, liderança, profissionalismo, cordialidade, compreensão, gentileza e que se preocupam constantemente com seu desenvolvimento. Conseguir um lugar de destaque já é um desafio. Garantir a sustentabilidade desse lugar é uma questão de princípios.
7)      Desenvolver habilidades além do conhecimento técnico. Habilidades comportamentais são a “chave mestra” para ampliar capacidades de liderança e melhorar potencialmente os relacionamentos intra e interpessoais.
8)      Desenvolver habilidades de oratória. Falar em público através de seminários e apresentações corporativas é uma capacidade cada vez mais demandada aos profissionais de todas as hierarquias. Mostrar resultados de uma forma assertiva, vender ideias, apresentar pontos importantes, enfim tudo isso pode e deve ser desenvolvido.
9)      Seu currículo tem que solucionar problemas das empresas. Uma boa edição de suas informações profissionais e habilidades pode ajudar bastante em um melhor posicionamento em sistemas de busca, por exemplo. O que as empresas estão buscando nas vagas anunciadas? Onde tenho mais expertise? Essa é a linha onde tenho que dar mais ênfase em minha apresentação.
10)     Para os novatos, é importante destacar as faltas imperdoáveis mais consideradas nas entrevistas de emprego: aparente desinteresse do candidato e insegurança em responder às questões. Procure estar devidamente preparado, estude a empresa e o segmento de atuação, tenha postura profissional, vista-se adequadamente e, principalmente, ouça com atenção para responder com clareza.
11)     Para quem já está no mercado:
- Pense no cargo que ocupa no momento e liste suas exigências e o que poderia ser feito a mais.
- Pergunte a si mesmo se está entregando algo a mais antes de cobrar um reconhecimento.
- Faça uma relação com o que faz de melhor tecnicamente e quais são as suas habilidades comportamentais.
- Desenvolva ações para alcançar diferenciais.
12)     Para quem está entrando no mercado:
- É preciso cuidado com armadilhas, como aceitar propostas de trabalho sem ter a visão de que elas estão ou não alinhadas ao que se deseja. É importante que o profissional defina o que faz melhor e o que gosta de fazer e, aí sim, escolha.
Enfim, as pessoas precisam encontrar sentido nas atividades que executam diariamente nas empresas. Esse é um importante termômetro para mensurar o quanto o profissional está mais próximo ou mais distante da sustentabilidade e motivação em sua carreira e o que precisa ser feito para trabalhar possíveis “gaps”.
Van Marchetti é consultora, palestrante, facilitadora e instrutora de treinamentos corporativos. Diretora da Attitude Plan – Consultoria e Treinamento Empresarial, ministra treinamentos nas áreas de oratória, liderança, administração de conflitos, integração de equipes, técnicas de apresentação e comunicação e relacionamento em vendas. Professora de pós-graduação, Van também ministra sessões individuais dos temas acima
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