A simplicidade de se comunicar



Por José Jayme Junior*

Finalmente, para muitos, o ano começou. Como o Brasil é conhecido pelo seu carnaval, o sentimento de que o ano de fato só começa depois de tal feriado é quase absoluto. Gostando ou não da festa, devemos reconhecer as proporções do evento, principalmente nos estados onde é mais festejado. Nesse contexto, é possível observar um aspecto corporativo muito sutil e que nós, enquanto profissionais, não damos a importância merecida: a comunicação.

Só para ter uma ideia do que estou falando, uma bateria de escola de samba possui aproximadamente 250 integrantes, divididos em alas de acordo com os instrumentos, todos eles de grande potencial acústico. Ouvir os comandos do mestre de ala é algo impossível. A solução encontrada foi simplificar a comunicação a um nível bem rudimentar, de fácil e rápido entendimento, transformando-a em gestos ou sinais. O código é passado para os integrantes durante os ensaios, quando os arranjos são experimentados e os respectivos sinais são definidos, isso sem falar nos sinais que já são padrão para arranjos básicos da bateria. Alguns sinais são comuns a toda a bateria, outros exclusivo das alas. Quando esse padrão de gestos é levado para a apresentação maior, o resultado é uma harmonia que encanta qualquer ouvido.

Dessa experiência podemos tirar algumas lições para o meio corporativo:
  1. Clareza na comunicação – Quando o canal entre o emissor e o receptor da comunicação está desobstruído, a informação chega plenamente. A preocupação com as interferências no processo é de suma importância e, caso seja impossível um canal livre de obstruções, uma comunicação complementar pode auxiliar nesse processo. A fala acompanhada de gestos ou mesmo um e-mail acompanhado de uma ligação telefônica são bons exemplos.
  2. Simplicidade no comunicar – A informação objetiva é entendida com maior agilidade. Não é necessário ser prolixo, nem estender o contexto do assunto.
  3. Adequação ao receptor – Não dá pra combinar um formato para cada pessoa com quem se deseja comunicar, como nas escolas de samba, mas dá para adequar a comunicação ao receptor da mensagem. Compare a linguagem que você usa com um amigo e com o presidente da empresa em que trabalha.
Muitos dos problemas empresariais poderiam ter sido evitados através de uma comunicação simples e objetiva. O mais interessante é que há mais de 2000 anos, Sun Tzu já trouxe o tema à luz no livro A Arte da Guerra: “Comandar muitos é o mesmo que comandar poucos, tudo é questão de sinais”. Isso só mostra o quanto a Humanidade caminha lentamente. Ainda estamos muito longe de fazer bem o que já fazemos a muito tempo: se comunicar.

*José Jayme Junior é Engenheiro civil pela UFPE com especialização em Gestão da Qualidade e produtividade pela UPE/POLI, atuando na área Engenharia de Aplicação de Estruturas Metálicas.


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