Cheguei aos 40… E agora?


Por Renato Ricci*

Recentemente falei com um executivo que acabou de ser promovido. Eu, entusiasmado, cumprimentei-o e disse que ele merecia tal evolução em sua carreira. Parece que esta atitude não surtiu efeito positivo em sua pessoa. Logo ele começou a me explicar a política de carreira de sua empresa e apesar de ter sido promovido aos 44 anos, suas chances futuras seriam limitadas. Fiquei curioso e questionei o por que. Ele me disse que gestores não poderiam assumir outras funções superiores com mais de 45 anos, ou seja, ele teria somente um ano para apresentar muitos resultados e conseguir subir mais um “step”, algo impossível segundo ele. Ou seja, recém promovido e já desmotivado.

Isto é um problema mundial. O que fazer com os gestores maduros e que detêm conhecimento e vivência do negócio, mas que precisam abrir espaços aos novos talentos? Com o aumento da idade para a aposentadoria, países como Itália e França defrontam-se com o problema de não poder gerar espaços suficientes para os jovens recém chegados ao mercado de trabalho. O mesmo já ocorre aqui.
Em contrapartida, pensar em aposentar um executivo aos 45 ou 50 anos de idade é absurdo. Pois neste momento é que as pessoas estão vivendo o seu melhor, usando seus conhecimentos e desfrutando de sua maturidade ainda com muito fôlego.

As empresas negam veementemente esse preconceito, infelizmente na prática a situação é outra. Gestores acima de certa idade são preteridos dos processos de recolocação, sejam eles internos ou externos. As equipes que unem membros quarentões com jovens da geração Y têm alcançado resultados interessantes, desde que bem geridas. Este é um grande desafio para a gestão de Recursos Humanos: como manter os meninos de 40 motivados e os jovens de 25 suficientemente contidos para não haver um embate desastroso? Quem conseguir aliar bem estas duas tribos, sairá do jogo vencedor.

Em seu próximo voo repare dentro da cabine de seu avião, provavelmente você verá um cara no comando com certa idade e talvez alguns cabelos brancos, e ao seu lado um jovem com cara de Tom Cruise a uns vinte anos atrás. Se isto ocorrer, entre tranquilo, pois provavelmente eles formam uma dupla que une experiência e vontade de chegar rapidamente ao seu destino. É mais ou menos isso que estou tentando dizer sobre o comportamento corporativo. Tenham todos um ótimo voo.

*Renato Ricci é coach, palestrante e diretor do Positive Change Institute Brasil.

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